Publicado por: wagnermartins | Março 13, 2008

Tuus sum ego: Salvum me fac

(Salmos 119:94)

O ser – humano é um nó de realidades e possibilidades. A realidade é o que de fato somos e a possibilidade é o que ainda podemos ser (ou queremos ser). Tanto a realidade quanto a possibilidade traz grandes problemas ao nosso ser, pelo fato de que, o que somos(a realidade)não é de fato o que queremos ser, e isso é evidenciado pelo desejo da possibilidade(o que queremos ser). E a possibilidade traz seus problemas pelo fato de talvez nunca o alcancemos, a própria palavra diz tudo, é apenas possibilidade…

Todo esse nó, toda essa crise é causada pelo que Tillich chama de a crise do “Ser e do não-Ser”, o Ser e o não-Ser estão intimamente ligados, um é o complemento do outro. E no choque entre essas fases do homem (realidade x possibilidade) o homem se depara com o infinito. Isto é, percebe que não é o centro de si mesmo, que é limitado e busca resposta do ilimitado.

Na busca por essa resposta surge a necessidade da salvação. Queremos nos salvar de nós mesmos, da limitação que somos e que nos sufoca.

Há pois uma saída para o homem? Há uma possibilidade de vencermos o atrito entre Realidade (o que somos, mesmo imperfeito e incompleto) e a Possibilidade ( O que queremos ser, perfeitos e completos – Figura típica do divino)?

O teólogo Agostinho nos dá uma imensa contribuição ao poetizar assim: “Fizeste-nos para ti, e a nossa alma não encontrará descanso enquanto não retornar-mos a ti”. É na caminhada a esse retorno que nossa alma (não no conceito dualista Platônico Alma + Corpo) encontra-se ansiosa e clamamos por Salvação.

 

O salmista Davi, no salmo acima citado se depara com inúmeros problemas, tanto na ordem material (política) quanto na sua alma (o choque do qual anteriormente falamos), e clama: “Senhor, Sou Teu!”.

Pensemos por um instante o que significa esse “Sou Teu”. É uma afirmação de fé – que no conceito classicamente grego significa, jogar-se nos braços de algo, ou alguém (L. Berkoff) -, é o sentimento de que não nos pertencemos, não pertencemos a finitude, mas pertencemos a algo infinito, transcendente e mais importante, eterno. “Sou Teu”, “Pertenço a Ti”, é palavra que nos coloca diante do oculto, do oculto que se auto revela, “Sou Teu” é a posição humana que dá a chance de receber a auto manifestação de Deus. “Sou Teu” é a postura na qual aquilo que nos toca de forma incondicional toma conta do nosso ser (Fé).

Sou Teu é afirmação de coragem que firma nosso ser, que nos mantém longe do desespero do não-Ser.

Somente depois da posição de dependência do infinito, manifestado pelo “Sou Teu” é que podemos clamar por salvação. Não é a Salvação que nos traz a afirmação do “Sou Teu”, mas o contrário, a consciência de dependência é que traz a possibilidade (realidade) de salvação. É porque Sou Teu, que posso ser salvo, é porque Sou Teu que me sinto seguro da salvação, é porque Sou Teu que acredito na salvação.

Essa salvação foi manifestada em através de Jesus, O Cristo. Ele quem trouxe (manifestou) a possibilidade do novo Ser, da Nova Realidade. Salvação é nossa vitória diante da nossa finitude. Diante disso finalizamos assim: “Senhor fizeste-nos para Ti… e eu Sou Teu, Salva-me! Para que encontre o descanso.”

 


Respostas

  1. Regojizo é uma palavra elegante e camuflada de frescura para aqueles que não fecham os olhos diante de um verdadeiro prazer. Regojizar é estar nos braços do pai, como criança feliz por ter um colo sempre disposto a apartar e nos apertar…

    Sou Teu, é uma frase singular e forte, dizer isso me faz ser rendetora, alma salva por uma fé incontestável de que meu pai me ama!

    E que eu te amo!

  2. Ops… rendetora nunca! redentora sempre!

  3. Nega,

    Dizer “Sou teu” é uma palavra que exige coragem, a coragem de ser feliz apesar da vida ser o que ela é.

    Love you


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