Publicado por: wagnermartins | Março 13, 2008

Sobre a morte


O que entendemos acerca da morte? O que pensamos sobre o momento da partida? Diferentes pensamentos acerca desse assunto existem hoje em dia, não apenas diferentes mas inúmeros e contraditórios. Mas o que faz com que existam tantos pensamentos acerca da morte não é mesmo o sentido da morte, o conceito de morte em si, mas o que acontece depois que a vida acaba. Todos sabemos que a morte é o cessar das tarefas terrenas, é o abandono do mundo chamado humano, terrestre, material. Nisso todos concordam, o problema é para onde vamos. O que faremos. Uns falam num sono a espera da ressurreição, outros falam em uma partida imediata para o inferno ou céu, outros falam num estado normal, igual ao vivido na terra, com trabalhos e fadigas, com possibilidade de comunicação com o plano material, mais tudo isso vivido e experimentado num outro plano (o espiritual), outros no entanto falam em completa extinção da pessoa, o fim realmente eterno, pois não havendo alma nada mais há a não ser o corpo que esta sendo devorado pela terra, e não havendo a possibilidade de ressurreição, lá continuaremos, enquanto a vida na terra continua. Enfim, realmente muitas idéias. Mas mesmo os que tem seus palpites e “certezas” certamente se sentem desconfortáveis diante da realidade da morte.

Mas o que é a morte em si. O que significa morrer. E o porque de tanta ansiedade. Sobre isso falaremos.

Leonardo Boff joga um enorme feixe de luz no assunto quando diz que “a morte é o fim plenitude da vida”, e para entendermos essa declaração é necessário que saibamos que o que torna o homem frustrado diante da morte é que a mesma é entendida como o fim da vida, e somente isso. Frustrante porque é o cessar de toda atividade, de todo o sonho, de toda (possível) realização. E de uma forma poética Boff segue dizendo acerca da morte, “ela é dolorosa e triste como um fim de festa ou como o derradeiro aceno de um encontro.”

É diante da possibilidade de que não haverá mais sonho, nem realizações, nem conquistas, nem amor, nem luxo… que a morte se torna uma verdadeira inimiga. Mas, ainda seguindo as trilhas deixada por Boff, devemos tomar consciência de que a vida é a própria morte, é vivendo que se morre, “ a morte não vem de fora ou no final da vida biológica. Ela coincide com a vida. O homem vai morrendo em prestações, cada segundo e cada momento representam vida desgastada” e continua dizendo que, “a vida do homem é vida mortal…”

O que entendemos por vida mortal é a presença da morte logo ao nascermos. Pois, ao nascer morremos para o mundo uterino, para a segurança daquele “mundo”, e nascemos para um outro mundo, onde a cada dia somos mais exigidos para a nossa preservação. E nessa luta pela preservação da espécie (a nossa espécie), nos direcionamos rumo à morte. Cada dia, cada momento, cada ação humana, mesmo aquelas ações em pró da vida e da permanência da vida é ação de morte. Pois não importa o que façamos para viver, havemos de morrer.

Por outro lado, Boff fala que “morrendo, acabamos de viver”, e escolhe um bom título para abrir essa discussão, “a morte como verdadeiro natal do homem”, diz ele que, “na passagem deste tempo para a eternidade, na morte, pois (nem antes nem depois), nessa concentração intensíssima do tempo, o homem chega totalmente a si mesmo”, dessa mesma forma se expressou o apóstolo Paulo dizendo que “Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido”(1 Corintios 13:12).

Claramente notamos como a vida não é completa, pois não há a oportunidade de um total conhecimento de quem somos nós, o que é o mundo, do que é a vida, somos limitados por nosso próprio ser. Na vida, a vida é um enigma, mais na morte a vida será revelada.

Que diremos então? Que a morte não é o fim de tudo? Que a morte não é o término da vida?

De forma alguma! Como bem disse Boff, “a morte é sim o fim da vida”, a morte faz a vida cessar, os planos se interromperem, faz fechar as portas do desejo. Mas a morte é o fim da vida biológica, e somente isto,pois o homem “é mais do que o Bios”. Morrendo o homem, ainda haveremos de ressuscitar, e “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”(1 Corintios 15:52).

Essa transformação será o momento da manifestação da vida. Nasceremos verdadeiramente e eternamente. Teremos a totalidade do nosso ser, deixaremos de existir e passaremos a Ser. Vida eterna é sempre entendida com a vida Divina. Só Deus é eterno, passaremos a ter a vida de Deus, pois viveremos com Deus, viveremos em Deus. Na morte saímos de nós para habitar com o Divino.

 


Respostas

  1. Morrendo o homem, ainda haveremos de ressuscitar

    Provas?

  2. Querido Tyrannosaurus.

    Provas??? O que é provas??? O que é provar algo? Permita-me responder-lhe. Provar algo significa que conseguimos aprisionar a verdade. Significa que de fato temos razões e que não podemos ser refutados… A fé não fala de razões (em breve falo sobre razão nesse blog), fala do coração. “O coração tem razões que a própria razão desconhece” já diz Pascal. Bem, Ressurreição é mais esperança que verdade … e olha, são esperanças que motivam os homens… a verdade mata, a esperança cura…

    E sobre verdades/provas e fé essa é uma ótima definição… “Fé é aquilo que uma pessoa que voa de asa delta tem de ter no momento de se lançar no espaço vazio. Não é acreditar em seres do outro mundo, anjos, céu, inferno e nem mesmo Deus. Fé é uma atitude perante a vida, intraduzível em palavras. Sobre essa confiança nos lançamos sobre as incertezas. A fé só existe diante do abismo das incertezas. Quem tem certezas não precisa ter fé. É fanático, capaz de matar os que pensam diferente. Quantas pessoas foram mortas em fogueiras e guerras simplesmente porque não tinham as mesmas idéias da religião dominante? Fico perplexo ao ver pessoas que têm certezas. Quem tem certezas é um idiota.

    É isso, não existem provas para as coisas da vida, nem para as da morte … existe sim, a Esperança.

    Abraços!

  3. Olá Wagner

    Entendo… fé e esperança não requerem provas.
    Seu texto começou em tom questionador e exploratório, mencionando várias hipóteses (a católica, a espírita, a de Boff, e outras); então de repente começam a surgir afirmações, e afirmações requerem provas. Se são asserções de fé/esperança, talvez devessem ter outra redação.
    De qualquer maneira, sendo questão de fé/esperança, não cabe debate.

    Abraços

  4. Tem razão Tyrannosaurus… ficou um pouco que afirmativo mesmo. Mas eu penso que não foi posições definidas sabe? Eu sou dos que acreditam que “não temos verdades, damos apenas palpites”(R.Alves).

    Mas de fato foi uma afirmativa religiosa, assim como existem afirmativas científicas. Não podemos viver também vagando… concordo com Nietzsche quando diz que “Convicções são prisões”, mas também sei que “não da para ficar em cima do muro” (Cazuza). Devemos ter nossas convicções, mas estar aberto para mudá-las, o segredo é ser “A metamorfose ambulante” (R.Seixas).

    Abraços e obrigado pelo sabor do debate!


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