Uma pequena história:
Conta-se que numa tarde, sentou-se Deus e o Diabo para uma conversa. Claro, Deus quem convocou e o Diabo logo tremeu. Deve ter pensando: – O que esses crentes inventaram de mim agora? Bem, Lá foram os dois… E me contaram que foi uma conversa até agradável. Deus não acusou o Diabo de nada, e nem o Diabo contou nenhuma mentira. Se não foi mentira de quem me falou, eles falaram até de teologia, foi uma conversa longa… Passado algumas horas de conversa. Eles perceberam que dá para se entenderem, apesar de serem diferentes (coisas que os homens deveriam aprender), e num momento em que tudo no universo parou tomada pela reverência, Deus e o Diabo se olharam e falaram: Foi muito o bom o papo. Eu percebi que dependo de você.
E o Diabo respondeu: Sou tão pequeno, e dependo de ti também.
E foram embora.
Sei, não entendeu nada do texto não é? Xiii, até vejo as críticas sobre o grito de “Heresia, Heresia!”. Mas explicarei o porque da história acima.
Divino e Demoníaco são categorias. Isso é, Divino é aquilo que une as coisas, as pessoas. E demoníaco é aqui que separa. Sim, quando há união, há a manifestação do divino, o amor é divino, o respeito é divino, a caridade e a compreensão são divinas. De outro lado, onde há
separação, ocorre o demoníaco. O ódio, o fundamentalismo, a falta de respeito, o monopólio da verdade, tudo isso é demoníaco.
Até aqui tudo bem. Vocês concordam comigo? Não prossiga a leitura, releia tudo que foi dito até agora, são poucas linhas…
Bem, agora me respondam: Pode haver união sem separação? Ou separação sem união? Só é unido o que um dia nasceu separado, ou fora separado por algum motivo. E a separação? Como haverá separação, sem que tal esteja unido?
Percebem a correlação? Os laços que unem União/Divino e Separação/Demônio? Não são as mesmas coisas em existência, eles são independentes, agem de formas contrárias, mas em essência sim, um faz com que o outro exista.
Acho que foi essa a conversa que Deus e o Demônio tiveram na conversa acima contada. E nessa discussão, Deus deve ter falado: Mas eu faço com que as pessoas estejam unidas… Eu amo minhas criaturas, e você os separou no Jardim do Éden, mas eu sou um Deus de amor e sempre estou trazendo eles de volta para perto de mim.
E o demônio: – Sim, mas toda vez que eu separo tuas criaturas do Senhor, existe sempre a possibilidade de que eles te amem cada vez mais, porque eles percebem que a separação é algo que destrói as poucos… e teu amor é maior que meu ódio. E o Senhor não perderá nenhum dos que são teus (e todos são teus). A separação sempre gera mais vontade de união.
Foi nesse momento que eles disseram: – Dependemos um do outro.
O que você quer dizer com isto teólogo? Que Deus e o diabo é o mesmo? Reveja seus conceitos teológicos Deus é um o diabo é uma criatura de Deus. Faça me um favor… Que doidera a sua querer afirmar que Deus tem sociedade com o capeta é loucura.
Por: Daniel Rios em Março 11, 2008
às 5:40 pm
Olá amigo Daniel. Prazer em ter você aqui.
A bíblia diz em Genesis cap 1 que TUDO que Deus criou é bom. Acaso dizes que o Diabo é bom? Ou Deus (Perfeito) criou algo mal?
Pessoas boas, fazem coisas boas, pessoas más fazem coisas más. Citando a bíblia : Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos (Mateus 7:18).
Pode, da maravilhosa e bela árvore que é nosso Deus dar um fruto tão mal?
O que existe é apenas Deus, e o homem inventou uma outra face para ele.
Abraços Fraternais!
Por: wagnermartins em Março 11, 2008
às 5:47 pm
Na verdade, a biblia relata um encontro amigavel de Deus com Satanás com intuito de provar a fidelidade de jó.
ás vezes fico pensando no propósito de tudo isso, se a onisciência tudo sabe, é óbvio que o teste não seria necessário.
Me recordo de um episódio de Liga da Justiça, onde Lex luthor culpa super-homem por suas atrocidades, ele afirmava que o super-herói precisava de um vilão a altura, que com seus super-poderes ele poderia acabar com todo o mal , contudo sempre o aprisonava onde ele certamente iria escapar pra cometer novas atrocidades. Ele concluiu dizendo que, sem um super-vilão não existiria um super-Herói.
Com poderes vem responsabilidades, Se Deus é supremo e infinitamente maior que seu adversário qual a razão de Lucífer existir e propagar tanta maldade?
Por: Nestor Junior em Março 13, 2008
às 12:52 pm
Exatamente, velho Nestor’s!
É partindo desse pressuposto que afirmo que ouve uma infantilidade na criação do demônio como ser pessoal. A criação de um ser mal por um ser bom, pressupõe-se que há o conhecimento do mal na mente do bom. Admitir que Deus conhece o mal é tirar-lhe a essência de BOM. Vale lembrar que essa dualidade Bem/Mal vem dos Maniqueístas (filosofia religiosa sincrética e dualística ensinada pelo profeta persa Mani). O cristianismo segundo nos ensina Paul Tillich (História do Pensamento Cristão) pegou vários elementos da antiguidade (Platão, maniqueísmo e mais um monte) e formulou uma doutrina.
Eu só creio em Deus, perfeito e bom … toda maldade é oriunda do homem!
Por: wagnermartins em Março 13, 2008
às 1:37 pm
O diabo é o pai do rock.
Por: Roberto em Março 13, 2008
às 11:01 pm
Gente…
Eu não sou teóloga, não sou cristã… digamos que não tenha pleno conhecimento da biblia, sobre esse assunto, que não devia ser polêmico, vou usar do único parágrafo de toda a biblia que realmente me faz pensar em Deus e o Diabo – O Livre Arbítrio. De tudo que li na biblia, nada me deu tanta certeza da prova de amor e bondade divina, que nos atribuir o livre arbítrio perante a vida, mas como uma entidade absoluta, dá ao ser humano imperfeito, na verdade um animal racional, o direito de ir e vir entre o mundo, fazendo o que acha bom ou ruim? Creio que Deus gerou seus filhos a sua imagem, li que o diabo era um anjo, portanto, entendo a interpretação do título como as duas faces da mesma moeda. Pra mim, a sua interpretação externa os extremos das forças que regem nossas crenças, e que estes extremos se encontram em algum ponto porque estão em constante atrito, choque. É de fato perturbador imaginar que esse ponto de atrito possa ser o que explica o essência de um e do outro e de repente nos indaga se seria isso o equilibrio? De fato, é muito conveniente a nossa existência, julgar o certo pelo errado, ver o preto no branco… porque já provamos desde que o mundo é mundo, que somos muito pequenos diante do mistério que nos complementa. A ciência nos diz que só usamos 2% de toda nossa capacidade encefálica, enfim…
Se Deus e o Diabo são inimigos, e somos nós gerados a imagem de Deus… quem é o Diabo?
Será que ele realmente é uma força tão onipresente quanto Deus? será que a questão de existir homem e mulher delimita essa noção de extremos que nunca serão o mesmo? porque o homem e a mulher com suas diferenças, se completam… Será que Deus inventou o Diabo para fazer nossos ínfimos pensamentos entenderem o amor tendo como vértice o desamor? Será que não somos tão limitados, como nós mesmos descobrimos pela ciência, que inventamos Deus e o Diabo? E com tudo isso, situar nossa vasta existência como ponto de partida deste vã e velho mundo? Só sei que tem momentos, que não me sinto. Alguns dizem que é a falta de Deus e tem horas, que me sinto tudo, sinto que sou a pessoa mais feliz do mundo e então dizem que estou de paz com o Diabo. E se aceitassemos crer apenas no que vemos? Talvez o ceticismo não seria tão unilateral se a religiosidade não fosse tridimensional… Como podemos ver… Quanta vã filosofia… de vida!
Por: Gita Habiba em Março 14, 2008
às 2:54 am
Amigo Roberto,
Você me fez pensar em algo, que o Raul Seixas nunca tinha posto em minha mente…
Será que eu sou satânico? Cara…. eu sou fã de Rock n Rolll. Meu amigo, Sepultura, Dream Theater, Iron Maiden … eita!
Mas não, Rock é maravilhoso … Deus quem criou!
Abraços…
Por: wagnermartins em Março 14, 2008
às 2:55 am
Gita (minha Gita, meu amor)
Bem, você é formada em teologia em Harvard ? Para quem não te conhece, pensa que és profunda conhecedora da teologia. Quem anda te ensinando heim?
Bem, sobre o Livre Arbítrio. Admitindo-se a existência do demônio, o livre arbítrio cessa de ser algo possível. Pois segundo a crença popular, o diabo luta com Deus para nos destruir. Em linguagem popular, os grandões brigam e nós, tão pequenos nos ferramos. Pensando bem, até aceitar a existência de Deus é negar o livre arbítrio, pois nosso livre arbítrio só é válido se aceitarmos as coisas divinas. Vale lembrar que, se Deus é Oniciente; onipresente; onipotente, então ele já planejou tudo para nós. Somos o imenso Playstation de Deus.
Penso que devemos rever nossos conceitos de Livre-arbítrio…do Demônio…de Deus!
Beijos, te amo!
Por: wagnermartins em Março 14, 2008
às 3:06 am
Creio que Livre Arbítrio é ter poder… O poder de ser justo ou injusto e por fim, arcar com as consequencias com estes extremos de maldade e bondade. Se cometemos algo justo, será bom e vice-versa. Se agimos pelo livre arbítrio, pagaremos pelo nosso poder de ter feito uma escolha. Por ora, a concepção de Deus e Diabo me ajuda a escolher que tangentes caminhar… sempre me lembrando que estão paralelas uma com a outra, porque somos isso, escolhas. Eu sou o que faço, Deus e Diabo é o que penso, portanto, serei aquilo que minhas atitudes competem aos meus pensamentos!
Por: poetisagitahabiba em Março 14, 2008
às 3:26 am
Gita (meu amor),
É exatamente esse o ponto e o uso correto das categorias Divino/demoníaco. Se divino é o que une e demoníaco o que separa. Escolhemos sempre o Divino, que é a união das raças, das crenças … o Divino nos fala de paz.
Espero em breve falar sobre liberdade, porque vai deixar claro que as coisas que atribuimos a Deus ou ao Demônio, são apenas nós mesmos em ação. Deus existe, não sei como nem onde nem porque… o demônio também existe. Porém ambos não são o que usualmente atribuimos.
Te amo!
Por: wagnermartins em Março 14, 2008
às 3:42 am