Publicado por: wagnermartins | Março 27, 2008

Falando sobre felicidade

“Habentes autem alimenta et quibus tegamur, his contenti erimus” 1Timóteo 8:6

“Fomos felizes ?”

 Essa fora a frase que Nietzsche proferirá no leito de morte. Mas é também a frase que falamos durante toda a nossa existência. Somos seres que buscam a felicidade e nessa busca nos fatigamos, mas não cessamos de buscar. 

Confesso que me preocupa a busca pela felicidade, não pela busca, mas pelo que se busca. Observo que estamos buscando a felicidade no lugar errado, ou melhor, estamos buscando algo de errado e atribuindo a isso o nome de felicidade. Como já disse noutra oportunidade, há uma diferença entre alegria e felicidade, sendo que alegria é euforia, é o que sentimos de bom agora, e felicidade é o que nos mantém sempre alegres. A alegria é algo que não cessamos de procurar e é sempre renovado, alegria é coisa descartável, hoje alegra, amanhã não mais. Felicidade é diferente, é estilo de vida. Nesse sentido o Apóstolo Paulo aconselha: “Estejais sempre felizes” (1 Tess. 5:16). Como manter sempre o sorriso no rosto? Como nunca chorar?

 Bem, e quem disse que ser feliz é ter sempre sorriso no rosto e nunca chorar? Ser feliz é outra palavra para “Tenha Esperança”. No ato do choro, nosso coração pode estar sendo inundado pela esperança de paz. É isso que o Salmista diz (Salmos 30:5) assim, “O choro pode durar uma noite, mas pela manhã, vem o cântico de júbilo”.

Quem, a não ser alguém com o coração transbordando de esperança pode esperar pelo amanhecer? Ainda mais esperar um novo dia com o cântico nos lábios? Só alguém que adotou com estilo de vida a Felicidade.

Acima, quando disse que a busca pela felicidade me preocupa, é pela percepção de como somos irresponsáveis em nossas buscas. Buscamos a felicidade no adquirir bens, no estar farto de coisas inúteis. É lamentável que pessoas pobres deixem de ter comida boa em casa e uma boa escola para o filho, mais tem em sua casa como troféu uma televisão de 42 polegadas e uma antena parabólica. Falta tudo, mas não falta o celular da última geração. E ao comprar dizem: – Estou feliz! De fato, lamentável!

Lembro-me do Filósofo Sócrates, quando o mesmo passeava pelas ruas da Grécia e passando por uma feira fora parado por um vendedor de bugigangas e ouviu :

- Temos muitas coisas. Coisas lindas! Escolha e leve, baratinho!

E Sócrates falou:

- Meu caro, estou apenas a passear.

- Só passear ? Numa feira tão grande e com tanta coisa, estás somente a passear? Indagou o vendedor.

E ouviu de Sócrates:

- Sim, só passear! E a observar o tanto de coisa que há nesta feira e que não preciso para ser feliz.

É o chamado, passeio Socrático. E penso como o filósofo, tanta coisa inútil. Enchemos nossa casa, criamos lixo, tanto no mundo quanto em nossa mente.

Alguém já disse que as coisas mais caras, são as coisas mais inúteis. As coisas que precisamos para viver podem ser adquiridas com pouco custo (ou quase nenhum). 

Ainda outra coisa que gostaria de chamar a vossa atenção, é que certas colocações já demonstram o quanto nossa busca está fora de foco. Exemplo :

Dizemos assim: – Estou feliz ! Esse verbo ESTOU não demonstra felicidade, mas somente alegria, coisa passageira. Ora, se agora ESTOU feliz, amanhã posso não estar. Felicidade invade a eternidade … Então, o certo é : Eu SOU feliz. Você não está você, você é você. Como toda mudança que aconteça, que mude as crenças, que mude a forma física, que tudo mude em você, você será sempre você. Assim é com a felicidade, mude tudo, que esteja tudo mal ou tudo bem, você é feliz.

A alegria é como uma droga, dura um pouco de tempo. E o problema é que vicia. Você nunca se sacia de drogas e faz besteira para alimentar o vício. Alegria é assim também, você fica cego e busca de qualquer forma e das mais inusitadas ter alegria. Felicidade não, onde você estiver como estiver, será sempre feliz. Há um enorme abismo aqui entre TER e SER. O que temos não temos, mas o que somos seremos, mesmo que mudemos.

Felicidade é aquilo que nos faz ser quem somos em qualquer situação, foi isso que o Profeta disse nesse texto abaixo transcrito:

Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. (Habacuque 3:17-18)

Gaudete, semper !

Publicado por: wagnermartins | Março 26, 2008

Sapere Aude

Se tem uma coisa que causa mais náusea em mim é a falta do conhecimento. Na verdade, não é bem a falta do conhecimento, mas a omissão, causada por aqueles que “detém” o conhecimento e por aqueles que não ousam conhecer. Eu aceito sim a crítica dos Materialistas ao dizerem que “a crença brota num lago onde a abundância da água do conhecimento secou”. Infelizmente é assim, cremos em muitas coisas, e não sabemos de nada. Meu problema de forma alguma é com a crença, eu também creio em várias coisas e isso me conforta, mas o desafio é ao menos saber em que se crê.

Acontece nas igrejas o mesmo que acontece como o Governo, omitem o conhecimento para que continuem no poder. Lembro-me de uma vez em que perguntei acerca do Demônio, e a resposta foi : “Não questione, ele existe ! Apenas creia e tema-o” Mais tarde descobri o quanto a figura do demônio é útil para a existência da Instituição. O Diabo é como uma notícia fantástica num Telejornal, mantém você preso à TV. Poucos sabem que o Diabo some na medida em que há conhecimento. Dar conhecimento tira a alegria do povo, mas o povo não quer alegria (somente) que a felicidade.

É muito triste ver a situação das escolas no Brasil, o descaso com que a educação é tratada, os maus tratos (salariais) a quem submetem o Professor. Isso me machuca profundamente. Mas culpamos os alunos ? De forma alguma, são tão vítimas quanto nós, mas o que temos feito na sala de aula ? E não somente na sala de aula, você que não é professor, o que tem feito em casa, como pai ou mãe ? E o que tem feito como amigo e cidadão? Tem espalhado conhecimento?

Tenho amigos seminaristas, que estão se formando em teologia. E muitos me dizem : “Não vejo logo a hora de assumir uma igreja e largar a Teologia.” Fico muito triste, pensando na geração de líderes que estão se formando, tão ovelhas quanto as ovelhas que irão cuidar. Então pergunto : – Porque se exige o curso de teologia para ser pastor, se você ao usar a teologia pode ser queimado no fogo da Inquisição?

Também sei que a igreja é o local de curar almas … mas cura acontece com remédio e não com mentira. Um paciente com câncer não será curado pelo simples fato de saber que pode ser curado …cura vem com Fé e remédio. No caso em questão , a omissão da sabedoria, cura vem com Conhecimento. É no conhecimento que sabemos quem é Deus e o que somos. Se tivéssemos conhecimento, pararíamos de orar para que nossa mesa não faltasse pão e partiríamos para a briga para destronar o poder que tira o pão da nossa mesa. Coloca-se a culpa da falta de pão, de saúde no diabo, enquanto os verdadeiros diabos estão se fartando de comida (incluindo os diabos com bíblia).

Sapere Aude – Ouse conhecer!

Libertação começa com o conhecimento de que é preciso se libertar !

 

Publicado por: wagnermartins | Março 26, 2008

Vida e coragem

De que é feita a vida? Bem, penso que a vida seja feita dos resultados dos desafios que vivemos. Não estou falando de vitória nos desafios, a derrota também faz parte da vida, e devemos acreditar que é justamente a derrota que nos prepara para a glória.

É nesse ponto que aceitamos com coragem a vida, coragem é aquilo que atua “a despeito de” (Paul Tillich), a despeito do medo , a despeito da dúvida … Não se vive sem coragem.

O que nos traz coragem? A fé! A fé é a tubulação por onde a força da coragem chega à nós. E fé não um sentimento infantil, não é crer em fadas, é a atitude que a larva está nos momentos da transformação para borboleta.  É a fé que mantém viva a nossa vida.

Coragem diante da vida é a coragem de arriscar-se. Mas cuidado ao se arriscar, tudo deve ser feito em busca da felicidade. É preciso distinguir felicidade e alegria. Alegria é aquilo que sentimos no orgasmo, felicidade é aquilo que nos faz querer o orgasmo novamente. Alegria dura um momento, felicidade invade a eternidade… E a coragem é o que nos faz sentir o orgasmo pela vida e nos momentos das dores, nos mantém de cabeça erguida, na esperança de um novo orgasmo.

Somente com a fé que nos dá coragem, é que dizemos que vale a pena viver. Somente um corajoso afirma que a vida é boa. Quem não tem coragem, vê a tempestade, quem tem coragem consegue imaginar os raios de sol por trás das negras nuvens. Só o corajoso sonha, o fraco se prende à realidade.

Sendo assim, me convido e te convido a enfrentar a vida de frente, com coragem e que a fé nos ajude.

Publicado por: wagnermartins | Março 18, 2008

Viver a transformação

 

“Transformar-se é viver e a perfeição é transformar-se sempre” (R.Bultmann)

 Que coisa mais horrível para um ser humano o fato de ser sempre quem é.  Evoluímos sempre, isso que nos torna melhores. Nada mais triste do que o fundamentalismo, essa prisão que acaba com nossa liberdade. Citamos Nietzsche, pois a frase dele é que “convicções são prisões”, e são. Pessoas que assumem a mesma postura sempre, pessoas que não arriscam o novo e nem permitem que o novo seja experimentando não passam de pobres de espírito. É uma pena que fazem isso com a fé, dogmatizaram a fé e fizeram dela uma prisão, quando na verdade a fé é outro nome para liberdade, e a liberdade é o que causa em nós a transformação.

Somos medrosos, pois da vida queremos a segurança, mas o que nos torna melhores são justamente as lutas, elas nos transformam.

O que pensamos hoje, por regra nos é ensinado que devemos pensar para sempre. Quer dizer, nem sempre. Um religioso quando nos apanha fora da “fé” nos diz que devemos mudar, mas quando estamos dentro da “fé” e mudamos, então temos para nós um inferno, quentinho.

Eu penso que devemos ser transformados, estar em constante mutação, constante desafios. Olhando o mundo por vários pontos de vistas, acreditando e desacreditando ao mesmo tempo. Aceitando ser o que nunca fomos, e deixando de ser que éramos. Novos ideais, novas idéias, novos sonhos, novos amores, novas crenças, novas esperanças…enfim, novos seres, isso nos torna perfeitos.

Publicado por: wagnermartins | Março 13, 2008

Tuus sum ego: Salvum me fac

(Salmos 119:94)

O ser – humano é um nó de realidades e possibilidades. A realidade é o que de fato somos e a possibilidade é o que ainda podemos ser (ou queremos ser). Tanto a realidade quanto a possibilidade traz grandes problemas ao nosso ser, pelo fato de que, o que somos(a realidade)não é de fato o que queremos ser, e isso é evidenciado pelo desejo da possibilidade(o que queremos ser). E a possibilidade traz seus problemas pelo fato de talvez nunca o alcancemos, a própria palavra diz tudo, é apenas possibilidade…

Todo esse nó, toda essa crise é causada pelo que Tillich chama de a crise do “Ser e do não-Ser”, o Ser e o não-Ser estão intimamente ligados, um é o complemento do outro. E no choque entre essas fases do homem (realidade x possibilidade) o homem se depara com o infinito. Isto é, percebe que não é o centro de si mesmo, que é limitado e busca resposta do ilimitado.

Na busca por essa resposta surge a necessidade da salvação. Queremos nos salvar de nós mesmos, da limitação que somos e que nos sufoca.

Há pois uma saída para o homem? Há uma possibilidade de vencermos o atrito entre Realidade (o que somos, mesmo imperfeito e incompleto) e a Possibilidade ( O que queremos ser, perfeitos e completos – Figura típica do divino)?

O teólogo Agostinho nos dá uma imensa contribuição ao poetizar assim: “Fizeste-nos para ti, e a nossa alma não encontrará descanso enquanto não retornar-mos a ti”. É na caminhada a esse retorno que nossa alma (não no conceito dualista Platônico Alma + Corpo) encontra-se ansiosa e clamamos por Salvação.

 

O salmista Davi, no salmo acima citado se depara com inúmeros problemas, tanto na ordem material (política) quanto na sua alma (o choque do qual anteriormente falamos), e clama: “Senhor, Sou Teu!”.

Pensemos por um instante o que significa esse “Sou Teu”. É uma afirmação de fé – que no conceito classicamente grego significa, jogar-se nos braços de algo, ou alguém (L. Berkoff) -, é o sentimento de que não nos pertencemos, não pertencemos a finitude, mas pertencemos a algo infinito, transcendente e mais importante, eterno. “Sou Teu”, “Pertenço a Ti”, é palavra que nos coloca diante do oculto, do oculto que se auto revela, “Sou Teu” é a posição humana que dá a chance de receber a auto manifestação de Deus. “Sou Teu” é a postura na qual aquilo que nos toca de forma incondicional toma conta do nosso ser (Fé).

Sou Teu é afirmação de coragem que firma nosso ser, que nos mantém longe do desespero do não-Ser.

Somente depois da posição de dependência do infinito, manifestado pelo “Sou Teu” é que podemos clamar por salvação. Não é a Salvação que nos traz a afirmação do “Sou Teu”, mas o contrário, a consciência de dependência é que traz a possibilidade (realidade) de salvação. É porque Sou Teu, que posso ser salvo, é porque Sou Teu que me sinto seguro da salvação, é porque Sou Teu que acredito na salvação.

Essa salvação foi manifestada em através de Jesus, O Cristo. Ele quem trouxe (manifestou) a possibilidade do novo Ser, da Nova Realidade. Salvação é nossa vitória diante da nossa finitude. Diante disso finalizamos assim: “Senhor fizeste-nos para Ti… e eu Sou Teu, Salva-me! Para que encontre o descanso.”

 

Publicado por: wagnermartins | Março 13, 2008

Sobre a morte


O que entendemos acerca da morte? O que pensamos sobre o momento da partida? Diferentes pensamentos acerca desse assunto existem hoje em dia, não apenas diferentes mas inúmeros e contraditórios. Mas o que faz com que existam tantos pensamentos acerca da morte não é mesmo o sentido da morte, o conceito de morte em si, mas o que acontece depois que a vida acaba. Todos sabemos que a morte é o cessar das tarefas terrenas, é o abandono do mundo chamado humano, terrestre, material. Nisso todos concordam, o problema é para onde vamos. O que faremos. Uns falam num sono a espera da ressurreição, outros falam em uma partida imediata para o inferno ou céu, outros falam num estado normal, igual ao vivido na terra, com trabalhos e fadigas, com possibilidade de comunicação com o plano material, mais tudo isso vivido e experimentado num outro plano (o espiritual), outros no entanto falam em completa extinção da pessoa, o fim realmente eterno, pois não havendo alma nada mais há a não ser o corpo que esta sendo devorado pela terra, e não havendo a possibilidade de ressurreição, lá continuaremos, enquanto a vida na terra continua. Enfim, realmente muitas idéias. Mas mesmo os que tem seus palpites e “certezas” certamente se sentem desconfortáveis diante da realidade da morte.

Mas o que é a morte em si. O que significa morrer. E o porque de tanta ansiedade. Sobre isso falaremos.

Leonardo Boff joga um enorme feixe de luz no assunto quando diz que “a morte é o fim plenitude da vida”, e para entendermos essa declaração é necessário que saibamos que o que torna o homem frustrado diante da morte é que a mesma é entendida como o fim da vida, e somente isso. Frustrante porque é o cessar de toda atividade, de todo o sonho, de toda (possível) realização. E de uma forma poética Boff segue dizendo acerca da morte, “ela é dolorosa e triste como um fim de festa ou como o derradeiro aceno de um encontro.”

É diante da possibilidade de que não haverá mais sonho, nem realizações, nem conquistas, nem amor, nem luxo… que a morte se torna uma verdadeira inimiga. Mas, ainda seguindo as trilhas deixada por Boff, devemos tomar consciência de que a vida é a própria morte, é vivendo que se morre, “ a morte não vem de fora ou no final da vida biológica. Ela coincide com a vida. O homem vai morrendo em prestações, cada segundo e cada momento representam vida desgastada” e continua dizendo que, “a vida do homem é vida mortal…”

O que entendemos por vida mortal é a presença da morte logo ao nascermos. Pois, ao nascer morremos para o mundo uterino, para a segurança daquele “mundo”, e nascemos para um outro mundo, onde a cada dia somos mais exigidos para a nossa preservação. E nessa luta pela preservação da espécie (a nossa espécie), nos direcionamos rumo à morte. Cada dia, cada momento, cada ação humana, mesmo aquelas ações em pró da vida e da permanência da vida é ação de morte. Pois não importa o que façamos para viver, havemos de morrer.

Por outro lado, Boff fala que “morrendo, acabamos de viver”, e escolhe um bom título para abrir essa discussão, “a morte como verdadeiro natal do homem”, diz ele que, “na passagem deste tempo para a eternidade, na morte, pois (nem antes nem depois), nessa concentração intensíssima do tempo, o homem chega totalmente a si mesmo”, dessa mesma forma se expressou o apóstolo Paulo dizendo que “Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido”(1 Corintios 13:12).

Claramente notamos como a vida não é completa, pois não há a oportunidade de um total conhecimento de quem somos nós, o que é o mundo, do que é a vida, somos limitados por nosso próprio ser. Na vida, a vida é um enigma, mais na morte a vida será revelada.

Que diremos então? Que a morte não é o fim de tudo? Que a morte não é o término da vida?

De forma alguma! Como bem disse Boff, “a morte é sim o fim da vida”, a morte faz a vida cessar, os planos se interromperem, faz fechar as portas do desejo. Mas a morte é o fim da vida biológica, e somente isto,pois o homem “é mais do que o Bios”. Morrendo o homem, ainda haveremos de ressuscitar, e “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”(1 Corintios 15:52).

Essa transformação será o momento da manifestação da vida. Nasceremos verdadeiramente e eternamente. Teremos a totalidade do nosso ser, deixaremos de existir e passaremos a Ser. Vida eterna é sempre entendida com a vida Divina. Só Deus é eterno, passaremos a ter a vida de Deus, pois viveremos com Deus, viveremos em Deus. Na morte saímos de nós para habitar com o Divino.

 

Publicado por: wagnermartins | Março 13, 2008

A arte da comunhão

Mateus 26:26-29

Aproveitarei esse momento para falar em comunhão. Por que não é rara a exibição dos nossos dotes individuais, que ofuscam o brilho da comunhão.

Vivemos num enorme paradoxo, quando chamamos aquilo onde vivemos de comunidade, mas mostramos de forma gritante nosso lado individual, mesquinho. Isso é claramente mostrado quando nos reunimos para conversar, tendemos deixar o foco em nossas diferenças, preferências e raramente falamos daquilo que nos une. Esquecemos da frase do poeta dizendo que “aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa”.

O que dizer de nós, que mesmo nos cultos nos deixamos levar por nossos gostos, nossas preferências? E dessa forma alargamos nosso espaço limitando o espaço do outro?

Por essa razão escolhi o tema: “A arte da comunhão”. Por entender as dificuldades de uma união, mas também por acreditar na urgência desse ato. O vocábulo arte é usado aqui para revelar tanto a beleza quanto a dificuldade, e para mostrar também que comunhão não é algo que se nasce sabendo, mais uma arte de se aprende a viver.

Ter comunhão é a nossa atitude corajosa em assumir e manifestar que existe algo em comum entre mim e o outro. Por falta dessa atitude corajosa, muitos lêem a bíblia de forma sempre particular, buscam apenas as promessas do Senhor para sua vida, individualmente, o discurso é sempre: “Deus tem uma promessa para mim”.

Mas a bíblia que é o livro “apto para ensinar, para corrigir, para instruir em justiça. Para que o homem de Deus, seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2Tm 3:16-17), nos revela os caminhos para a comunhão. E o exemplo mostrado por Jesus, o Nosso Senhor, abre as portas do nosso coração e as janelas da nossa mente para vivermos a plenitude da união.

Pensemos por um instante nessas declarações do teólogo Paul Tillich em um dos seus sermões:

·         “As barreiras da distância, do tempo e do espaço, foram removidas pelo progresso técnico; mas as paredes de hostilidade entre coração e coração se tornaram incrivelmente mais fortes.”

Conseguimos captar a grandiosidade dessas duas afirmações? Pois bem, com o avanço da tecnologia, podemos nos comunicar com nossos amigos no Japão em tempo real. Podemos ver nossos amigos do outro lado do mundo através de uma câmera. A distância e o tempo que uma carta tinha que percorrer para chegar ao destinatário, fora encurtado ou melhor dizendo, anulado com o surgimento do e-mail. Temos agora o celular, onde as pessoas podem entrar em contato conosco em qualquer lugar a qualquer momento. Tudo isso aproxima as pessoas, aproxima os mundos. Mas Tillich não deixa de alertar: “ As paredes da hostilidade entre os corações se tornaram cada vez mais forte”. Cada vez mais, o homem esquece do outro, o culto a si cresce cada dia mais, ganhando cada vez mais força. O espaço ao sol é buscado cada vez mais, sem levar em conta o espaço do outro. Por mais que avance o tempo, o homem continua primitivo. Ou será que a hostilidade é fruto que amadurece com a modernidade?

De qualquer forma, a mensagem cristã é mensagem de aproximação, “Deus nos reconciliou consigo mesmo, por Jesus Cristo… e nos deu o ministério da reconciliação…rogamos-vos pois que vos reconcilieis com Deus.” (2 Co 5:18,20). A mensagem cristã não é mensagem de individualidade, ainda que a salvação seja pessoal, o caminho da salvação é percorrido em comunhão, na partilha. Por essa razão foi escolhido o texto de Mateus 26 para essa reflexão, pois é o momento da partilha, a ultima reunião de Cristo com seus discípulos e Ele deixa o grande recado do evangelho.

O corpo e o sangue para todos

“Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu e deu aos seus discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice e dando graças, deu-lho dizendo:Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue…que é derramado por muitos para remissão dos pecados.”

Quando a individualidade é grande ao ponto de ferir uma comunhão, estamos vivendo o lado contrário do pensamento de Jesus. O eu nunca é maior do que o nós. É preciso que notemos que nossa vida é vida de união, nem eu somente, nem você somente temos um lugar no reino de Deus, mais todos nós. A comunidade dos crentes, sem distinção é participante do corpo de Cristo. Acerca disso devemos nos lembrar do seguinte fato: Eu e você, enquanto seres individuais não somos o corpo de Cristo. Enquanto individuais somos Filhos de Deus. Nos tornamos corpo de Cristo quando estamos em comunhão com os outros. O corpo de Cristo é a reunião dos Filhos de Deus. Isso é claro num dos textos mais famosos da bíblia e mais citados com o seu caráter individual, vejamos: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Cristo nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1:7). Não é raro eu ouvir um trecho desse versículo na boca de pessoas rancorosas, pessoas individualistas, mesquinhas. Estufam o peito e dizem: “Mais o sangue de Cristo me purifica de todo pecado…”. Ora, o pecado é separação de Deus. Pecado é aquilo que separa, Diabo é o nome dado aquilo que é a causa da separação, logicamente que a separação entre as pessoas se constitui pecado, e o pecado não suporta a luz, logo se pecamos (separados) não andamos na luz como ele está, e se não estamos na luz não temos comunhão e se não temos comunhão o sangue de Cristo não nos purifica. Conforme o texto de 2Co 5: 18-20, Cristo é a ponte de união com Deus, o sangue de Cristo nos purifica causando união.

Por isso a comunhão é uma arte. Uma arte ensinada pelo Espírito de Deus. E essa arte é aprendida e aperfeiçoada na vivência. Aprendendo dia após dia a amar uns aos outros, a orar uns pelos outros, a confessar as culpas uns aos outros, a perdoar uns aos outros, enfim a realizar todo feito que cause aproximação e não distanciamento.

Vida cristã é vida de união. Caminhos juntos, na esperança de que vamos juntos habitar com Cristo. Quando Cristo terminou de repartir o pão e o vinho como sinal de seu corpo e sangue ele terminou dizendo: “E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até aquele dia em que eu beba de novo convosco no Reino do meu Pai.” Juntos formamos o corpo de Cristo que habitará para sempre no Reino de Deus. O reino de Deus é reino de união, sendo assim é importante aprender a arte da comunhão, praticar aqui, porque no Reino de Deus a arte deverá estar aperfeiçoada. Para a glória do Nosso Pai.

 

Publicado por: wagnermartins | Março 11, 2008

As duas faces da mesma moeda.

Uma pequena história:

Conta-se que numa tarde, sentou-se Deus e o Diabo para uma conversa. Claro, Deus quem convocou e o Diabo logo tremeu. Deve ter pensando: – O que esses crentes inventaram de mim agora? Bem, Lá foram os dois… E me contaram que foi uma conversa até agradável. Deus não acusou o Diabo de nada, e nem o Diabo contou nenhuma mentira. Se não foi mentira de quem me falou, eles falaram até de teologia, foi uma conversa longa… Passado algumas horas de conversa. Eles perceberam que dá para se entenderem, apesar de serem diferentes (coisas que os homens deveriam aprender), e num momento em que tudo no universo parou tomada pela reverência, Deus e o Diabo se olharam e falaram: Foi muito o bom o papo. Eu percebi que dependo de você.

E o Diabo respondeu: Sou tão pequeno, e dependo de ti também.

E foram embora.

Sei, não entendeu nada do texto não é? Xiii, até vejo as críticas sobre o grito de “Heresia, Heresia!”. Mas explicarei o porque da história acima.

Divino e Demoníaco são categorias. Isso é, Divino é aquilo que une as coisas, as pessoas. E demoníaco é aqui que separa. Sim, quando há união, há a manifestação do divino, o amor é divino, o respeito é divino, a caridade e a compreensão são divinas. De outro lado, onde há

separação, ocorre o demoníaco. O ódio, o fundamentalismo, a falta de respeito, o monopólio da verdade, tudo isso é demoníaco.

Até aqui tudo bem. Vocês concordam comigo? Não prossiga a leitura, releia tudo que foi dito até agora, são poucas linhas…

Bem, agora me respondam: Pode haver união sem separação? Ou separação sem união? Só é unido o que um dia nasceu separado, ou fora separado por algum motivo. E a separação? Como haverá separação, sem que tal esteja unido?

Percebem a correlação? Os laços que unem União/Divino e Separação/Demônio? Não são as mesmas coisas em existência, eles são independentes, agem de formas contrárias, mas em essência sim, um faz com que o outro exista.

Acho que foi essa a conversa que Deus e o Demônio tiveram na conversa acima contada. E nessa discussão, Deus deve ter falado: Mas eu faço com que as pessoas estejam unidas… Eu amo minhas criaturas, e você os separou no Jardim do Éden, mas eu sou um Deus de amor e sempre estou trazendo eles de volta para perto de mim.

E o demônio: – Sim, mas toda vez que eu separo tuas criaturas do Senhor, existe sempre a possibilidade de que eles te amem cada vez mais, porque eles percebem que a separação é algo que destrói as poucos… e teu amor é maior que meu ódio. E o Senhor não perderá nenhum dos que são teus (e todos são teus). A separação sempre gera mais vontade de união.

Foi nesse momento que eles disseram: – Dependemos um do outro.

 

Publicado por: wagnermartins | Março 11, 2008

Coisas da vida que só a esperança suporta.

“Se enfraqueces no dia da angústia, a tua força é pequena.”

Provérbios 24:10

Vida, essa vulcão em erupção contínua. Não nos deixa tranqüilos, eu até penso às vezes que a vida é somente a luta contra a morte, e dai mantemos a teoria da evolução, pois evoluímos para que possamos viver. Eis uma das grandes virtudes do homem, se adaptar ao ambiente em que vive, evoluindo e conseqüentemente destruindo os fracos.

E nessa dialética entre o que somos e o que devemos ser, enfrentamos as dificuldades do ser. Vivemos em meio a lutas e provações, e nossa alma passa por furações de crises. E o que fazemos então? Cessamos a vida? Morremos aos poucos espiritualmente? Desistimos da luta?

A vida é uma viagem sem volta, só existe a chegada… e mesmo que nós desistamos de viver, o suicídio se torna o ponto de chegada, na verdade é somente um atalho para o fim comum.

Não existe vida sem luta…

O sábio no texto de Provérbios nos dá uma ótima via para seguirmos nossa caminhada. Diz assim ele: “Se enfraqueces no dia da angústia…”, com isso já sabemos, haverá o dia da angústia, é inevitável. Mas o segredo é o que faremos quando essa angústia chegar. Somos aquilo que fazemos, e as dificuldades é a melhor forma de revelarmos quem de fato somos. É fácil sermos fortes na bonança, inteligentes nas facilidades, mas é nos momentos de crise que mostramos o quanto nosso espírito e a nossa criatividade é poderosa. Lembro-me de um aforismo que diz “Os navios estão seguros ancorados, mas não foi para isso que eles foram feitos”.

Vale lembrar o conselho de Jesus, “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” JOÃO 16:33. O segredo de Jesus para vencer as dificuldades é a coragem.

Poderia escrever um livro sobre o assunto, mas para cumprir o propósito dessa nossa conversa, basta falar que, as dificuldades não nos destrói, mas nos molda. São elas que revelam o que de fato somos…

Coragem e esperança, sempre!

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Para minha querida Gil (Paçoquinha).

Querida “vale a pena viver, nem que seja para dizer que não vale a pena” … Estamos juntos no mesmo barco, navegando pelos mares da vida. Mas não nos esqueçamos de uma coisa: “Se fizemos da esperança o barco da nossa vida, ela nos levará para os mares da vida eterna”

Sempre Juntos!

 

Publicado por: wagnermartins | Março 10, 2008

As 4 estações

Pensemos na vida, mas pensemos na vida como algo que acontece de forma aleatória, e que o máximo que podemos fazer é estarmos preparado para enfrentar as situações. Devemos aprender a lidar com os momentos de alegria e a lidar com os momentos de tristeza. Dessa forma a nossa vida é como as estações do cosmo, cada época tem seus frutos e merece uma atenção especial da nossa parte.

Primavera

É o momento onde a beleza floresce. As flores desabrocham, a poesia aparece forte por causa do inebriante cheiro das flores … É também o momento onde nossas idéias aparecem, e nossa mente fica repleta de sonhos e de planos. E gostoso também é o cheiro das idéias, novos projetos a serem executados, tudo isso tem um maravilhoso perfume, a fragrância do desafio. Aproveitemos pois a primavera sem medo, vislumbrando cada empreendimento, planejando, sonhando … Aproveitemos também para olhar para o jardim do próximo, admirando as flores dos companheiros de labuta, se maravilhando com o pomar daqueles que não temos afinidade, na esperança de trocarmos as flores. Enfim, a primavera é quando o ardor do sol está todo em nosso peito, e daí surgem as flores, que são nossas idéias.

Verão

A estação da liberdade. Com pouca roupa nos sentimos a vontade. O calor toma conta do nosso dia a dia e estamos de bom humor. E no final do dia, que gostoso um refrigerante ou uma cervejinha bem gelada com os amigos. Em nossa vida é o momento de colocar em prática aquelas idéias que surgiram na primavera. Sim, na primavera nós planejamos, no verão nós colocamos em prática. É hora de abraçar os desafios sem medo, hora de encarar a vida de frente, hora de pensar como Shakespeare ao dizer: “A vida é dura, mais eu sou mais ainda”. Eis a estação de não ter medo, de arriscar… A hora de quebrar a cara, de se arrepender, de acertar. Enfim, o verão é a estação da nossa vida que mostra o quanto de coragem nós temos.

Outono

Momento de delícias. Momento de colheita, momento de saborear os frutos que foram planejados na primavera e plantados no verão. Momento de saborear a manga, o caju, a banana … É chegada a hora de subir nas árvores para brincar entre os galhos repletos de frutas. E em nossa vida? Sabe os desafios e o suor que você derramou na estação passada? Pois bem, é chegado a hora de colher. Goze do maravilhoso sabor da vitória, alegre-se pelo gostoso gosto da conquista. Demorou, demorou muito! Mas a hora da conquista chegou, é hora de subir no pódio, hora de encher os cestos e gozar da prosperidade. Alegrai-vos ó alma, é chegado o dia do seu regozijo. Coma, beba, se divirta, é tempo de colheita.

Inverno

E quando chegar seus dias de velhice? Digo da velhice biológica, porque juventude e velhice é estado de espírito. Mas seja o jovem ou o velho, todos passamos por um momento de inverno. É o tempo em que as flores caem, o tempo em que há o recolhimento, tempo em que nos agasalhamos e ficamos mais introspectivos. É chegado o momento de reflexão, tempo de descanso e meditação. Tempo de colocar a cabeça no travesseiro e dormir mais cedo, ou até mesmo dormir mais cedo, ao pé de uma lareira e com uma taça de vinho tinto. Seja como for, nessa estação é o momento de repensarmos nossa trajetória, revermos o tempo em que planejamos, o tempo que executamos e o tempo em que gozamos dos bens … tempo de escrever conselhos, tempo de passar mais tempo com os filhos e netos … tempo de aconselhar os mais novos e de jogar dominó ou cartas com os mais velhos. É chegado o tempo de rezar, orar, meditar, ouvir música, ler livros/poemas. Aproveita, é um bom tempo para namorar, casar novamente com a pessoa que se ama, e se não ama, é um bom tempo para amar, o amor ajuda a refletir.

Bem, devemos curtir cada estação da vida, porque um dia a vida cessará! E finalizamos com o que disse o sábio no texto bíblico, contido em Eclesiastes Capítulo 12:1-7, abaixo assim transcrito:

 

“Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos em que dirás: Não tenho prazer neles antes que se escureçam o sol e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva no dia em que tremerem os guardas da casa, e se curvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas as portas da rua se fecharem; quando for baixo o ruído da moedura, e nos levantarmos à voz das aves, e todas as filhas da música ficarem abatidas como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho; e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e falhar o desejo; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; antes que se rompa a cadeia de prata, ou se quebre o copo de ouro, ou se despedace o cântaro junto à fonte, ou se desfaça a roda junto à cisterna, e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.”

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